sexta-feira, 23 de março de 2018

PJMP GARANTE UMA BOA REPRESENTAÇÃO NA ESCOLA DE FORMAÇÃO DAS JUVENTUDES PE. HENRIQUE



Aconteceu o primeiro encontro do módulo Bíblia e Hermenêutica Juvenis da Escola de formação das Juventudes Pe. Henrique. Algumas lideranças jovens da PJMP participaram desse módulo.

As temáticas trabalhadas nesse primeiro momento foram voltadas para as diversas formas de leituras bíblicas, dando ênfase na Leitura Orante da Bíblia. No decorrer do módulo, que será composto por mais quatro encontros, as temáticas abordadas serão:

II – Evangelho de Marcos: Saúde e Violência – 24 de março de 2018: de 09h às 17h;
III – Evangelho de Lucas: Relações de Gênero e Ambientais – 28 de abril de 2018: de 09h às 17h;
IV – Evangelho de Mateus: Conflitos Raciais – 26 de maio de 2018: de 09h às 17h;
V – Evangelho de João: Fundamentalismo e Diálogo Inter-religioso – 30 de junho de 2018: de 09h às 17h;

Lideranças da PJMP
O módulo conta com a assessoria do CEBI – Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos e o apoio das Irmãs Paulinas, que disponibilização a casa de retiro para a realização desse encontro.

Para maiores informações sobre a Escola de Formação das Juventudes, acesse o link do site do Setor Juventude da Arquidiocese de Olinda e Recife.








ESCOLA DE FORMAÇÃO DAS JUVENTUDES PADRE HENRIQUE




Depois de aprovada em assembleia, a proposta de uma escola arquidiocesana de formação para as juventudes ganha rosto com o calendário das datas e temas dos módulos. A escola de formação tem como objetivo: Favorecer a formação integral das lideranças jovens a partir de uma base espiritual, teológica, pastoral, social e missionária para uma maior inserção dos jovens na Igreja e na Sociedade.

A escola presta homenagem a Padre Antônio Henrique Pereira Neto, sacerdote católico assassinado na ditadura militar brasileira durante o pastoreio de Dom Hélder Câmara. Pe. Henrique era o padre designado para trabalhar com as juventudes da Arquidiocese de Olinda e Recife.

Seus conteúdos serão trabalhados em quarto módulos, que aconteceram no intervalo de dois ano, tendo como conclusão no segundo semestre de 2019.

1º Módulo: Bíblias e Hermenêuticas Juvenis – fevereiro até julho de 2018
2º Módulo: Juventude e Magistério – agosto até setembro de 2018
3º Módulo: Fundamentos da ação social transformadora – março de 2019
4º Módulo: Capacitação de lideranças – maio até agosto de 2019

Para maiores informações sobre a Escola de Formação das Juventudes, acesse o link do site do Setor Juventude da Arquidiocese de Olinda e Recife.

MAIS UM EJMP REALIZADO COM SUCESSO


Devido ao grande sucesso do primeiro Encontro do Jovens do Meio Popular – EJMP que aconteceu no início do mês de julho do ano passado, a comissão arquidiocesana de jovens da PJMP, realizou o segundo EJMP na terceira semana de janeiro do ano corrente. O encontro manteve a mesma metodologia do primeiro: momentos de espiritualidades, formações, oficinas lúdicas, dinâmicas de grupos, rodas de conversas e oração com o ofício divino das juventudes.

O encontro teve como tema central: “Ai de mim, se eu não evangelizar”, trecho da primeira carta de São Paulo a comunidade de Coríntios. Para nos ajudar na reflexão, contamos com a assessoria do Diácono Antônio Sebastião, que, a partir desse trecho bíblico, falou muito sobre a missão da PJMP.

Além da parte formativa, outros momentos que deram o diferencial desse ano, foram um lindo e místico momento mariano, onde os jovens puderam rezar o terço luminoso, pedindo a intercessão da Mãe Maria para proteger a juventude do meio popular; e as oficinas lúdicas, como: Capoeira com o grupo Bela Arte e nos preparativos para o carnaval desse ano, uma oficina de Frevo com o assessor Maurício Lafon.

Momento Mariano

Formação sobre a missão da PJMP com o Diácono Antônio Sebastião
O segundo EJMP, também foi marcado como o pontapé da PJMP AOR para o 5º Congresso Nacional, que será realizado na Arquidiocese de Goiânia, Goiás, entre os dias 07 a 13 de julho de 2018. O nosso assessor, Enildo Gouveia, falou um pouco sobre a história dos últimos congressos nacionais e fez projeções para a mobilização da caravana da PJMP da Arquidiocese de Olinda e Recife. A previsão é levar dois ônibus cheios de jovens, militantes e assessores. 

Com o EJMP recheado de muita reza, muita luta e muita formação, o EJMP, como sempre, contou com muita festa. E a belíssima casa de retiro dos Oblatos de Maria Imaculado, localizado em Aldeia-Camaragibe, proporciona um espaço calmo para oração, mas também, um grandioso espaço para brincadeiras de grupo e banho de piscina.

Oficina de Capoeira com o Grupo Bela Arte

Oficina de frevo com Maurício Lafon 
Com todos esses elementos, aconteceu o segundo Encontro de Jovens do Meio Popular – EJMP. Contamos com a participação dos grupos de jovens vindos dos municípios de Olinda, Recife, Jaboatão dos Guararapes, Paulista e Cabo de Santo Agostinho. Mauricio Lima, coordenador do grupo Jovens Conscientizando a Comunidade – JCC da Paróquia Sagrado Coração de Jesus em Águas Compridas-Olinda e membra da comissão arquidiocesana da PJMP, pontual que: “O EJMP, deixa claro que estamos acertando e buscando dinamizar na metodologia das atividades.”

Momento de lazer

Encerramento da formação sobre a missão da PJMP com o Diácono Antônio Sebastião

Momento de Espiritualidade de Abertura do EJMP




quinta-feira, 8 de março de 2018

“POR ELAS NENHUM MINUTO DE SILÊNCIO, MAS TODA UMA VIDA DE LUTA”



Irmãs, companheiras, consagradas, leigas...
Mulheres, Guerreiras...

“Eu lhes asseguro que onde quer que o evangelho for anunciado, em todo o mundo, também o que ela fez será contado em sua memória". Marcos 14, 9.



Cabo de Santo Agostinho, 29 de dezembro de 2017, Verônica de 45 anos, foi morta pelo marido com duas marteladas na cabeça, durante a madrugada, enquanto dormia num sofá na residência do casal. O mesmo disse que cometeu o crime por ordem de uma "entidade do mal".
Recife, 17 de Dezembro de 2017, Remís Carla foi esganada pelo namorado, o pedreiro Paulo. O motivo da briga foi porque ele havia quebrado o celular dela durante uma discussão. Paulo informou que estava sob o efeito de maconha e cocaína, o mesmo enterrou seu corpo num terreno próximo a sua residência, e o corpo da mesma foi encontrado quase uma semana depois em avançado estado de decomposição.
São Lourenço da Mata, 02 de Janeiro de 2018, o corpo de Sibelly Carla de Lima foi encontrado já em avançado estado de decomposição no imóvel que fica na rua do Sol, no bairro da Várzea Fria. Após uma discussão com o companheiro, uma adolescente de 14 anos foi encontrada morta, deitada na cama e enrolada em um lençol. Os vizinhos teriam escutado uma discussão entre o casal neste mesmo dia, que era véspera de réveillon. “Mas quando o pessoal chegou lá, encontrou apenas ele, calmo, fumando um cigarro e bebendo cerveja. Quando ele foi embora à noite, ouviram quando falava com a mãe no celular, dizendo que tinha feito uma tragédia em casa.”
Todos os dias podemos ler casos como esses, afinal o Brasil é o 5º país com a maior taxa de feminicídio. Em Pernambuco no ano de 2018 no mês de Janeiro, 26 mulheres foram mortas “apenas por ser mulher”. Todos os dias mulheres sofrem abusos de todas as formas, são testadas e obrigadas a sobreviver numa sociedade que dita “como e o quê” a mulher deve ser. Não se tem direito de escolha das carreiras, de andar na rua livremente independe da roupa, de frequentar determinados lugares ou gostar de determinadas coisas, pois algumas “só servem para os homens”, afinal a mulher tem que se dar o respeito e procurar seu lugar, mas acontece o conceito social de respeito travestido de machismo não nos representa.
Quantas mulheres vivem em silêncio por medo, por se achar inferior, por pensar no que os outros vão dizer sobre seu jeito de SER mulher? O silêncio pode se tornar ensurdecedor, porém nós dizemos “Seja aquilo que você quer ser!” E “Seremos”!!Não nos calaremos diante de uma situação onde um homem mata uma mulher por achar que é seu dono. Não nos calaremos diante de uma sociedade que acha que a mulher tem “seu lugar e papel no meio dela”. Não nos calaremos diante dos que destroem vidas e famílias por violência contra mulher. Não nos calaremos diante dos assédios diários, dos estupros, das “piadinhas preconceituosas”, não ficaremos sem voz. Nossa conquista é diária, nossa luta é permanente, iremos conquistar muito mais e nessa sociedade: teremos voz, vez e lugar. Inspiradas na Carta de Paulo aos Gálatas “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3,28), seguiremos profeticamente os passos de Cristo, pois somos iguais e seremos iguais.
Nesse dia da mulher, não nos calaremos, vamos gritar e vamos encorajar a todas as mulheres a não aceitarem nenhum tipo de violência, vamos lutar pelas que já foram e pelas que ainda estão aqui e precisam do nosso grito. Silenciar nunca foi uma opção, lutar sim!

“Como parte de nossa história, proclamamos nossos sentimentos: esperança, resistência, dignidade, alegria e solidariedade. Sentimo-nos ainda controladas e questionadas pelo poder dominante; às vezes com sentimentos de culpa, que geralmente nos vêm dos espaços eclesiais e sociais que geram indignação e raiva contra o sistema o sistema que nos marca limites, e ao qual nos opomos, sem medo e nem preconceitos”. 2º Encontro de Teólogas Indígenas (2013).


A nós todas, mulheres, nosso lembrete de que “muito há de ser conquistado” e fraterno abraço.


Recife, 08 de março de 2018

Atenciosamente,
Equipe de Mulheres da PJMP AOR
Pastoral da Juventude do Meio Popular
Arquidiocese de Olinda e Recife

quarta-feira, 27 de julho de 2016

GRUPO FORÇA JOVEM COMEMORA 34 ANOS DE MUITA REZA, MUITA LUTA E MUITA FESTA


O Grupo Força Jovem da comunidade Córrego do Jenipapo na Periferia do Recife, nasceu no dia 27 de julho de 1982 sobre o reflexo da Pastoral da Juventude do Meio Popular e guiados por ela tinham como objetivo conscientizar os jovens que 'cegos' de verdades sobre um mundo desigual, não conseguiam visualizar a exclusão e opressão em tudo os que rodeavam. Através do anseio de melhorar a vida social e trazer oportunidades para os jovens da sua comunidade e sobretudo das periferias do Recife, esse grupo nascido e enraizado no profetismo  de um Cristo Libertador, caminha com Ele na esperança da união fraterna e na luta para a construção da civilização do amor, visando construir um lugar para todos, o reino de Deus. 

A partir do seu nascimento o grupo trabalhava em cima de problemas sociais e enfatizavam a partir das artes levando a uma reflexão iluminada pelo evangelho de Jesus Cristo, sendo eles "sal da terra e luz do mundo" para os jovens que os rodeavam.

Durante todo caminhar o Grupo contou com inúmeras pessoas que fizeram e souberam fazer a história contribuindo para o crescimento a partir da fraternidade, do amor, da compaixão para com todos.

Nunca, em seus anos de caminhada, se escondeu seu objetivo e a preferência pela Juventude da periferia, pelos pobres e pela luta a favor da vida e da justiça, fazendo assim valer o dito do Cristo que nos liberta. E que bem ressalta o Papa Francisco  na Encíclica Laudato Si:

“O amor, cheio de pequenos gestos de cuidado mútuo, é também civil e político, manifestando-se em todas as ações que procuram construir um mundo melhor. O amor à sociedade e o compromisso pelo bem comum são uma forma eminente de caridade que toca não só as relações entre os indivíduos, mas também as macrorelações como relacionamentos sociais, econômicos, políticos. Por isso, a Igreja propôs ao mundo o ideal de uma “civilização do amor”, O amor social é a chave para um desenvolvimento autêntico. Para tornar a sociedade mais humana, mais digna da pessoa, é necessário valorizar o amor na vida social - nos planos político, econômico, cultural - fazendo dele a norma constante e suprema do agir.” {...} “Desta forma cuida-se do mundo e da qualidade de vida dos mais pobres, com um sentido de solidariedade que é, ao mesmo tempo, consciência de habitar em uma casa comum que Deus nos confiou.”

E hoje, como festa, para o aniversariante de 34 anos de Caminhada, a Pastoral da Juventude do Meio Popular da Arquidiocese de Olinda e Recife parabeniza o Grupo Força Jovem por esses longos anos de estrada, de luta e resistência diante de todos os obstáculos. fazendo bem valer o dito do nosso Profeta Dom Helder Câmara “Para além, muito além dos egoísmos individuais, dos egoísmos de classe, dos egoísmos nacionais, é preciso abraçar, sorrir, trabalhar”. 

Desejamos também muita força para continuar a caminhada. Que esse ano em que estamos vivenciando o Ano Santo da Misericórdia ajude-os a abrir ainda mais a cabeça de nossos jovens para refletir o amor e a misericórdia para com os outros. E que a Nossa Senhora Aparecida, nossa Mariama, mãe dos homens de todas as raças, de todas as cores, de todos os cantos da Terra nos impulsione a continuar cultivando a semente do bem fazendo brotar esperança de dias melhores.

E não esqueçam o que Dom Hélder nos disse: "O segredo de ser jovem é ter uma causa a que dedicar a vida".

AMÉM, AXÉ, AWERÊ, ALELUIA, OXENTE!




‪#‎FORÇAJOVEM34ANOS‬
‪#‎FORÇAJOVEMSOMOSNÓS‬
#SerPJMP

segunda-feira, 11 de abril de 2016

FÉ E VIDA NA MÍSTICA E ESPIRITUALIDADE DA PJMP





Por Padre Antônio Gomes*


Pensar mística e espiritualidade da PJMP é nos colocarmos numa linha do tempo pensarmos no movimento bíblico de libertação do povo de Deus no Egito, recorda a Aliança de Deus com seu povo, caminhar com os Profetas de ontem e de hoje, encontrar-se com o Nazareno, nos encantarmos com o seu projeto de Reino, caminharmos com a Igreja – Povo de Deus, ao longo da história até estes dias: O Concílio Vaticano II e sua recepção na América Latina, a Teologia da Libertação, a ação pastoral e evangelizadora no Brasil, com seus conflitos e buscas de acerto da caminhada plural, diversas e iluminada pela ação do Espírito Santo que continua nos mobilizando, iluminando e guiando nossos passos.

1.    NOSSA HISTÓRIA, NOSSO CHÃO
Somos filhos de trabalhadores, a nossa classe é a classe popular. Nós temos
sonhos e também muitos amores. Também queremos trabalhar, participar.
É a juventude do Meio Popular!

Nosso hino nos indica, o chão onde nascemos vai determinar nossas opções na construção de um mundo novo: numa sociedade marcada por tantas desigualdades, o olhar que lançamos sob a realidade determina o jeito de caminhar da gente. O chão que a gente pisa determina o olhar que temos da vida.
Morros e periferias do Recife, lugar dos pobres, sonhos e rezas de um povo que tem na fé um modo de encarar as dificuldades e os problemas da vida.
O ano de 1978, tempo de luta contra a ditadura militar que tinha calada muita gente, havia sufocado o projeto popular de um Brasil pensado pelos movimentos sociais do campo e da cidade. Uma voz profética não cala: Hélder Pessoas Câmara, o DOM é o nosso acalanto em tempos cinzentos. No seu entorno se gestará a PJMP, junto com outras grandes intuições – as CEBs com o Movimento Fraterno ENCONTRO DE IRMÃOS, o ITER instituto de Teologia do Recife, a Organização Pastoral da Terra, do Índio, dos Negros, a Comissão de Direitos Humanos. Nascemos dentro de um contexto amplo para ajudar a organização do povo na construção de um mundo justo, fraterno e solidário.

2.    A VOZ QUE VEM DA PERIFERIA – LUGAR TEOLÓGICO
Eu acredito que o mundo será melhor quando
o menor que padece acreditar no menor.

Todo ponto de vista é a vista a partir de um ponto. O nosso lugar teológico é a periferia. Desse chão que pisamos vai nos colocar diante de um horizonte: assumirmos quem somos, de onde viemos, com quem lutamos, marca a linguagem que buscamos implementar no nosso discurso.
A teologia da libertação, nascida no continente Latino Americano, a partir da vida, do sofrimento e da luta por superar as chagas que nos fazem 3º mundo, como um olhar a partir dos movimentos de libertação será o eixo que nos colocará numa perspectiva de fidelidade ao movimento de Jesus hoje, aqui e agora.

3.    SEMENTE NO NOVO NA LUTA DO POVO
Vinho novo em Odres Novos. (Mc 2, 22)

A Igreja de Cristo em Olinda e Recife, comprometida com a vida e a luta do povo, envolvida nesta luta, adultos em sua maioria, homens e mulheres juntos, um povo de batizados: leigos e leigas, religiosos e religiosas, ministros ordenados; juntos com os jovens da periferia organizaram o Movimento dos Jovens do Meio Popular. Com uma pedra lançado no rio que a partir de um determinado ponto produz vários círculos se espalha pelo Regional Nordeste II e pelo Brasil afora. O papel das lideranças juvenis em coordenação, o planejar essa caminhada, e a presença de equipes de assessoria – homens e mulheres encantados e comprometidos nesse projeto vai fazer a PJMP torna-se referência da organização pastoral dos jovens em nosso país.
Dom Sinésio Bhon, a partir de seu olhar de pastor, vai afirmar: “A PJMP é a experiência da Igreja, do rosto popular jovem. É a reconstrução do rosto de Cristo entre os jovens mais sofridos. A PJMP é solidária na dor, firme na esperança e alegre em suas pequenas, mas progressivas conquistas.”
Ser semente do novo na luta do povo. Eis nossa missão. Á luz das intuições da Conferência Latino Americana de Medelín que fez sua recepção do Concílio Vaticano II para o nosso continente. Ajudarmos na construção da CIVILIZAÇÃO DO AMOR. As intuições que se desenvolverão, não sem embates e conflitos, vão apurar o ouro no fogo, vão dar consistência aos nossos quadros. Fará muitos que estiveram e estão ao longo dos nossos 38 anos de história não perdemos o entusiasmo, mas consolidam os passos que continuamos dando.

4.    ARDE O FOGO NO MEIO POPULAR
Nossa força quem nos dá é Jesus Cristo, que nos empurra e ilumina o caminho,
pois Ele é o nosso companheiro, que pelos pobres sempre tem muito carinho.
É a juventude do Meio Popular!

A mística que anima a caminhada dos jovens do meio popular tem raiz em Jesus de Nazaré. O movimento Jesuano de vida nova, de estar do lado dos sem vez e sem voz é um caminhar permanente e que vai sendo atualizado a medida que nos desafia a viver na luta com paixão e entusiasmo, festejando e celebrando esse caminhar. Uma expressão que ficou marcada é a PJMP é espaço de muita Reza, Muita Luta e Muita Festa.
As orações de nossos congressos são fonte inspiradora para continuamos firmes e perseverantes, esperançosos e lúcidos, sonhadores e realizados de novos céus e nova terra.
A espiritualidade Cristã Libertadora é a fonte de nosso caminhar: o ecumenismo, o diálogo inter-religioso, as questões indígenas, afro brasileira, a questão da terra para produzir e para morar, a ecologia, a questão de gênero, a afetividade e sexualidade, a participação nos movimentos de luta social no bairro, na escola-universidade, no sindicato, no partido político, na vida e a nossa práxis deve refletir e dar passos para seguirmos com Fundamentos do Caminho, Bandeiras de Luta e Artes da Gente.
Que sejamos ontem, hoje e amanhã VIDAS PELO REINO.




*Pe. Antônio Gomes de Medeiros Filho, SDB; Vigário na Paróquia São João Bosco da Arquidiocese de Olinda e Recife, Presidente da Comissão Arquidiocesana de Pastoral para a Juventude da AOR, Presidente da Comissão de Juventude do Regional Nordeste 2 e Comissão Nacional de Assessores da PJMP

segunda-feira, 4 de abril de 2016

O aspecto de Fé e Vida no Meio Popular


Por Enildo Gouveia*

Para compreender o jeito de ser Igreja a partir da experiência da Pastoral da Juventude do Meio Popular – PJMP, algumas considerações são de fundamental importância. É necessário que grupos, militantes, simpatizantes entendam estas questões para não serem surpreendidos com diversos questionamentos que nos chegam tanto de dentro da própria Igreja, como de quem está de fora. 

Em primeiro lugar não dá pra conceber grupos ou militantes da PJMP que fiquem “presos” ou limitados às atividades paroquiais de organização de celebrações, crisma, catequese etc. Da mesma forma, estes não podem abdicar destes espaços e preocupar-se apenas com as lutas sociais e culturais. Se de uma forma corre-se o risco de perder a amplitude do debate sobre a problemática social, doutra forma, os pilares de sua fé podem ser abalados, além de afastar-se de um espaço importante de articulação entre fé e vida. 

A nossa mística consiste justamente nisto: articular a indignação sociopolítica a uma vivência profunda da fé em Jesus expressa na liturgia da palavra e nos ritos católicos que no caso brasileiro, incorporou vários elementos da cultura popular que os tornaram ainda mais ricos e significativos. De fato, para a PJMP ser ou não católico ou até mesmo cristão não é o “x” da questão. Valorizamos muito mais as bandeiras de lutas que determinada pessoa ou grupo defende, suas ações. Embora nos assumamos como cristãos, acreditamos num ecumenismo profundo que ultrapassa a perspectiva unicamente cristã, daí nossa proximidade com várias outras experiências, principalmente as indígenas e afro-brasileiras, experiências espirituais estas, originárias e válidas, assim como a nossa.  

Somos partidários de um cristianismo engajado e fundamentado no respeito e no reconhecimento de que o outro, apesar de diferente e por vezes “esquisito”, tem algo de bom a nos dizer. É no que há em comum, no que há de bom, que estabelecemos nosso leque de alianças. Já as diferenças não cabem a nós julgarmos. 

Os evangelhos nos mostram um Jesus muito próximo do povo. Suas palavras duras são em direção aos defensores da lei, aos ricos, aos poderosos. Jesus não julga o povo, mas os conforta. Alia-se a esta parcela da população indistintamente, e é pra esta a quem ele primeiro vem anunciar a ressurreição. 

Sobre a experiência numa das regiões mais pobres do Recife, Frei Aloísio Fragoso (franciscano) falou:   
“Eles são os menos amados, excluídos, rejeitados pela sociedade. Mas eu jamais escutei uma blasfêmia deles contra Deus. É um mistério a fé deste povo. Encontrei neles santidade que nunca vai chegar aos altares, mas ficará eternizada na memória do povo e no coração de Deus”. 
Dessa forma, se ousamos ser seguidores de Jesus, não podemos fugir deste compromisso: aproximar-se do povo sem exigir nada em troca, nem mesmo que siga a nossa profissão de fé, nosso jeito de rezar. 


*Enildo Gouveia é Assessor Regional da Pastoral de Juventude do Meio Popular,  Doutorando em Geografia e Professor no Instituto Federal de Educação Tecnológica de Pernambuco. 

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